SELIC parada e inflação persistente: como o crédito em moeda estrangeira é saída estratégica

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Modelo em miniatura de um templo em cima de gráficos financeiros, representando BRM (bank relationship management).

O Banco Central do Brasil manteve a taxa SELIC em 15% ao ano, sinalizando um longo período de manutenção em patamares restritivos. Enquanto isso, as expectativas de inflação seguem acima da meta: projeções apontam 4,86% para 2025 ainda, 4,33% em 2026 e 3,97% em 2027. A mensagem é clara: o custo do dinheiro em real permanece elevado — e deve assim continuar no médio prazo. 

Nesse ambiente, o custo de oportunidade do capital para empresas que tomam crédito no mercado doméstico se torna uma saída, claro, mais cara. E é nesse contexto que ganha força uma estratégia historicamente subutilizada, até mesmo pouco conhecida em profundidade, no Brasil: a captação estruturada de crédito em moeda estrangeira, com hedge cambial dinâmico. 

O custo invisível do crédito em reais 

A taxa SELIC em dois dígitos impacta diretamente as linhas tradicionais de financiamento empresarial. Seja via CDI, seja via TLP ou mesmo linhas com algum subsídio, o custo efetivo total (CET) das dívidas corporativas domésticas hoje supera facilmente os 16% a 18% ao ano, em muitos casos. 

E isso sem considerar os efeitos indiretos: 

  • Erosão de margens operacionais: empresas com margens apertadas sofrem ainda mais com o custo financeiro embutido no capital de giro. 
  • Restrição de crescimento: projetos de expansão passam a ser adiados ou redimensionados por falta de funding viável. 
  • Comprometimento de fluxo de caixa: estruturas com indexadores pós-fixados deixam as empresas vulneráveis a choques de política monetária. 
  • Aversão de investidores e credores externos: empresas alavancadas com dívida cara e imprevisível perdem competitividade. 

Crédito em moeda estrangeira como alternativa estratégica 

Por outro lado, operações de crédito em moeda estrangeira — especialmente via Lei 4.131 — oferecem um leque de oportunidades mais eficiente e estratégico para empresas com perfil de médio e grande porte. Algumas vantagens se destacam: 

1. Custo financeiro reduzido 

Em estruturas bem montadas, considerando hedge cambial e gestão ativa do risco, é possível acessar capital com custo total entre 8% e 13% ao ano com hedge. 

2. Alongamento de prazo 

Esses tipos de linhas operam com maturidades mais longas (entre 3 e 5 anos), permitindo um planejamento financeiro mais sólido e menor pressão sobre o fluxo de caixa operacional. 

3. Hedge cambial estruturado e flexível 

A grande vantagem competitiva está na capacidade de customizar instrumentos derivativos — como NDFs, opções de cap ou swaps com barreiras — que blindam a empresa contra a volatilidade do câmbio sem travar totalmente os ganhos em cenários favoráveis. 

4. Acesso a novas fontes de funding 

Além dos bancos locais, o uso da Lei 4.131 viabiliza captações junto a bancos internacionais, fundos de crédito privado e até operações via mercado de capitais (bonds). 

Governança e sofisticação: pré-requisitos do jogo 

Vale reforçar: não se trata de buscar crédito mais barato a qualquer custo. As estruturas em moeda estrangeira exigem maturidade financeira, controles internos robustos e capacidade de gestão de risco ativa. 

Empresas encontram nas operações estruturadas com hedge um caminho racional para preservar caixa, reduzir custo e aumentar sua competitividade. 

Conclusão 

No cenário atual, persistir com estruturas convencionais de crédito em reais é manter a empresa refém de uma política monetária restritiva e de custos crescentes.  

Já a adoção de soluções estruturadas em moeda estrangeira, com uma gestão de risco cambial inteligente e alinhada à estratégia da companhia, pode ser a diferença entre sobreviver e crescer. 

O futuro financeiro das empresas está na sofisticação da estrutura de capital.