Operações estruturadas em moeda estrangeira com derivativos complexos 

Pessoa analisando gráficos de investimentos em um laptop, representando operações estruturadas em moeda estrangeira.

Tempo de leitura - 6 min

Operações estruturadas em moeda estrangeira. É engraçado pensar que quando queremos comprar algum ativo uma casa ou um carro, nós, como compradores buscamos incessantemente fazer comparações de preços, qualidade, longevidade e assim por diante. Buscamos entender se a relação custo vs. benefício está alinhada com a nossa realidade e se faz sentido econômico.

Por outro lado, quando uma empresa precisa levantar recursos para financiar suas operações, ela frequentemente aceita de imediato o primeiro produto de prateleira que o gerente do banco oferece. No entanto, essa escolha pode sair mais cara, especialmente no Brasil, onde a taxa básica de juros está entre as mais altas do mundo.

Diante desse cenário, a empresa deve ampliar suas opções e buscar alternativas fora do país. Com o mundo cada vez mais interconectado, as oportunidades de captação de recursos ultrapassam nossas fronteiras.

Vamos a um exemplo:

Atualmente, a taxa básica de juros no Brasil está em 14,25%. Como é de conhecimento comum, ela serve como referência para o custo de captação interna do país. Em contraste, nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa básica varia entre 4,25% e 4,5%. Diante desse grande diferencial de juros, não seria extremamente vantajoso se as empresas pudessem acessar capital ao custo de um país desenvolvido? O que poucos sabem é que isso já é possível!

Desde 1962, a Lei 4131 permite esse tipo de operação, possibilitando que empresas brasileiras captem recursos a custos mais baixos em mercados desenvolvidos, como Europa e Estados Unidos.

Contudo, como estamos falando de outras moedas, como o dólar e euro, ao acessar esses recursos, as empresas irão ficar expostas a variação cambial no momento do pagamento desta operação. Por exemplo, a empresa ABC, captou USD 1MM com o banco Itaú (via seu correspondente no exterior) e foi creditado em sua conta o valor de  BRL 6MM (USD 1MM x R$ 6,00) no mês de Janeiro de 2025.

No entanto, ao captar recursos em moedas como o dólar ou o euro, as empresas ficam expostas à variação cambial no momento do pagamento da operação. Por exemplo, imagine que a empresa ABC tenha captado USD 1 milhão com o Banco Itaú, por meio de seu correspondente no exterior. Em janeiro de 2025, esse valor foi creditado em sua conta como BRL 6 milhões (considerando uma cotação de USD 1 = R$ 6,00).

Suponha que a operação tenha um prazo de um ano, com vencimento em janeiro de 2026. Se, na data da liquidação, o câmbio subir para R$ 7,00, a dívida inicial de BRL 6 milhões passará a ser BRL 7 milhões. Ou seja, devido à variação cambial entre o real e o dólar, a empresa ABC precisará desembolsar BRL 1 milhão a mais na quitação do empréstimo.

Operações estruturadas em moeda estrangeira

É nesse cenário que entram os instrumentos de derivativos, também conhecidos como instrumentos de hedge – um componente essencial das operações estruturadas em moeda estrangeira. Sem essas ferramentas de proteção cambial, a empresa ABC ficaria totalmente exposta às oscilações do câmbio. Isso poderia representar um risco significativo para seu fluxo de caixa, especialmente em momentos de estresse no mercado causados por eventos políticos, geopolíticos ou econômicos.

Sobre os instrumentos de derivativos

Os instrumentos de derivativos foram criados justamente para oferecer essa proteção, agindo como um seguro contra a volatilidade dos preços dos ativos. No caso mencionado, tratamos de derivativos de moedas, mas esse mercado engloba diversas outras categorias de proteção financeira.

O mercado de derivativos é extremamente amplo e oferece uma infinidade de opções para proteger ativos. Não há como listar todos os instrumentos disponíveis, mas alguns dos mais comuns já ajudam a entender sua finalidade. Entre eles, destacam-se: NDF (Non-Deliverable Forward); Opções de compra ou venda (calls e puts) e; Call Spread. O NDF é um contrato a termo para compra ou venda de moeda, liquidado financeiramente (sem entrega física).

Já Opções, são contratos que dão o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender moeda a um preço predeterminado. E por último, Call Spread, é uma combinação de compra e venda de opções de compra, delimitando um intervalo de proteção. 

Voltemos ao exemplo anterior acima da captação de USD da empresa ABC. Usando um instrumento de derivativos para proteger a empresa de qualquer alteração da taxa de câmbio, podendo ser um NDF neste exemplo, a uma taxa futura de R$ 6,50, a operação ficaria da seguinte forma: valor contratado em Janeiro de 2025 de USD 1MM, valor da liquidação em Janeiro de 2026 a BRL 6,5MM (USD 1MM x R$ 6,50 – NDF contatado).

Ou seja, independentemente da flutuação do câmbio, a empresa ABC sabe exatamente quanto pagará pela sua dívida em janeiro de 2026, pois contratou um instrumento de proteção cambial que fixa a taxa de câmbio futura. Isso oferece previsibilidade para sua posição financeira, embora um prêmio seja pago ao banco que fornecerá o instrumento.

Conclusão sobre operações estruturadas

Assim, a empresa considera como custo efetivo da operação a taxa de juros externa de captação, somada ao custo do instrumento de proteção cambial. Ela pode optar por uma proteção total ou parcial contra a variação do câmbio, o que impacta diretamente o custo total e o risco da exposição. Apesar de sua eficácia, as empresas ainda utilizam pouco esse tipo de operação no Brasil, o que representa um grande potencial para aquelas que buscam reduzir seus custos financeiros.

Conheça a Legatus Growth Finance. Somos parte da Legatus e especialistas em redução de custos financeiros. Com nossa expertise, podemos reduzir os custos da sua empresa com hedge em até 70%, oferecendo proteção eficaz contra a variação cambial.

Conheça também o Cognito, plataforma que viabiliza a realização de operações estruturadas e o acesso a crédito em moeda estrangeira com taxas mais competitivas, combinando inteligência artificial para a gestão de riscos cambiais.

Aproveite a oportunidade para ler mais artigos sobre Investimentos e Oportunidades.